Solano é artista plástico, biólogo e ambientalista, natural de Apucarana (PR). Sua prática é movida por um olhar sistemático, quase clínico, que faz do ateliê um laboratório e do gesto um procedimento experimental. Trata o plástico como um organismo vivo, uma espécie que nasceu da era industrial e evidencia uma nova condição biológica.
Como investigador, Solano observa, coleta e classifica o que não deveria existir. Ao transformar resíduos em documentos, ironiza o impulso científico de controle e ordenação. O experimento se faz provocativo. Se Duchamp deslocou o objeto para o campo da ideia, Solano desloca o resíduo para o campo do vivo, e ao fazê-lo, propõe também o deslocamento da consciência.
Em esculturas, instalações e performances, constrói ecossistemas artificiais que não buscam conciliação com a natureza. Eles buscam confronto e à reflexão. Em sua prática, arte e ciência se confundem, e a matéria, antes passiva, passa a reagir. A ironia se estende à própria condição humana: a necessidade de florestamento da mente, de uma consciência voltada à manutenção da Mãe Terra e a à ampliação do olhar para o planeta e para o cosmos.

Manifesto Artístico

“Eu expresso o que não posso dizer.
Registro o que a memória apaga.
Crio para provocar — não o olhar, mas o sentir.
O gesto é meu, mas o sentido é seu.
Cada camada é uma pergunta, um sonho, um vestígio de presença.
Minha arte não mostra — propõe.
E se você sentiu algo, então aconteceu.”