Na trajetória de Solano, o ato artístico é uma resposta à dor. É uma tentativa de atravessar o abismo. Esse abismo se encontra entre o real e o imaginado.
Sua história confirma a frase de Nise da Silveira: “os loucos e os artistas mergulham nas mesmas águas, mas os artistas retornam.”
Aos 19 anos, enfrentou a perda do pai. Teve um amor não correspondido e vivia a escassez material. O mergulho foi inevitável. Um colapso abriu caminho para o gesto criativo. Ele usou lápis e papel. Seu inconsciente começou a se desenhar. Das formas imprecisas, nasceu uma busca. Era a busca pelo corpo do desejo. Pela imagem do amor e da vida.
A Arte como Escada de Retorno
Com o tempo, Solano compreendeu algo. A arte lhe oferecia uma escada. Ele podia usá-la para subir de volta dessas águas. A constância e a disciplina tornaram-se suas aliadas. São instrumentos que sustentam seu retorno e sua elaboração.
No ato de pintar, encontra equilíbrio. Um equilíbrio entre o mergulho e o fôlego. Entre o excesso e o controle do gesto.
Solano e a Capacidade de Transformar Dor em Linguagem
Hoje, o artista entende sua “loucura”. É um espaço legítimo de criação. Uma licença poética para existir. Ele a chama de “o artifício do artista”. É a capacidade de transformar a neurose em linguagem. De converter dor em matéria sensível. De fazer da mancha uma revelação.
Texto curatorial de Erika Vanesa Maidana Magarzo – EVAMM