Na obra de Solano, o mar se impõe como metáfora vital. O fundo oceânico, onde o silêncio é denso e a vida é rara, não o interessa como destino. O que o move é a busca pelos pontos onde a luz atravessa a água e estilhaça a escuridão, trazendo clareza.
Sua pintura, assim, não se fixa no mergulho nas sombras, mas no gesto de emergir. É a escolha constante pelo ar, pelo tempo, pelo amor que persiste mesmo após a perda.
O Gesto Sísmico e a Memória na Tinta
Esse gesto nasce das mãos, que carregam a memória como combustível. Mãos que vibram num movimento sísmico, como se cada pincelada abrisse fissuras e liberasse camadas adormecidas. A cada mancha, memórias emergem, transformando o íntimo em matéria pictórica.
O gesto inconsciente atua como guia. Nele habitam ternura e loucura, terrores e beleza — aquilo que se dissolve na tinta e se recompõe na expressão.
Solano e a Travessia entre Profundidade e Clareza
As camadas de sua pintura funcionam como um mergulho. Cada sobreposição é uma braçada nesse mar vasto, feito de risco e revelação. O inconsciente conduz o processo como alguém que aprende a respirar debaixo d’água; não por medo de afogar-se, mas pela confiança de que a luz sempre encontrará um caminho.
A obra de Solano é, portanto, uma travessia. Entre profundidade e clareza, entre memória e gesto, sua pintura revela o instante em que a vida se torna experiência estética: turbulenta, sísmica, mas também luminosa. Como o mar, sua arte é infinita — e, no infinito, sempre há picos de luz.
Texto curatorial de Erika Vanesa Maidana Magarzo – EVAMM