Solano apresenta obras inéditas na exposição Portões que Falam em Santo André

No dia 30 de maio de 2026, o artista e biólogo Solano participou da exposição Portões que Falam, realizada no espaço Cuiabá 153, em Santo André (SP). A mostra reúne artistas contemporâneos brasileiros em diálogo com o projeto francês Les Fenêtres Qui Parlent, iniciativa internacional que promove encontros entre arte, território, memória e participação cultural.

A exposição Portões que Falam estará em Santo André (SP) nos dias 30 e 31 de maio. (Reprodução: Acervo Solano)

Para esta edição, Solano apresentou quatro obras inéditas da série Sobre Pedras, pertencentes ao Campo Pulsional, um dos três eixos de pesquisa da Artecologia, linguagem artística desenvolvida pelo artista a partir da integração entre arte, ecologia, percepção e experiência humana.

Realizada pela Cuiabá 153, a exposição estará disposta em diversos espaços nos dias 30 e 31 de maio.

A série Sobre Pedras

As quatro pinturas monumentais, com 1,70 metro por 1,70 metro cada, nasceram de um processo de investigação que envolve monotipias realizadas sobre pedras encontradas em Santo André e também em territórios ligados ao intercâmbio cultural promovido pelo projeto francês.

Mais do que representar a pedra, então, as obras procuram registrar sua presença, sua textura e sua memória.

A superfície mineral torna-se matriz para a criação pictórica. Sendo assim, as marcas, relevos e acidentes encontrados na matéria são transformados em linguagem visual, estabelecendo uma conexão entre diferentes paisagens, culturas e experiências humanas.

Campo Pulsional: a pintura como território dos afetos

Dentro da pesquisa em Artecologia, o Campo Pulsional corresponde ao universo das emoções, das memórias e dos impulsos criativos.

Dessa forma, é o espaço em que a pintura deixa de ser apenas representação para tornar-se experiência.

Nas obras apresentadas em Santo André, o azul assume papel central. Na poética de Solano, então, essa cor primária está associada ao amor, à profundidade, ao acolhimento e à dimensão sensível da existência.

Sobre essa base azul surgem sucessivas camadas de amarelo, dourado, laranja e vermelho. Dessa forma, as cores se encontram, se fundem e se transformam em campos de energia visual.

Portões que Falam
Solano e uma das obras de Sobre Pedras. (Reprodução: Acervo Solano)

Cada camada acrescenta novas informações à superfície, criando profundidade e movimento.

Sobre Pedras: Quando a pintura se torna escultura

Um dos aspectos mais marcantes da série Sobre Pedras é sua materialidade.

A tinta não permanece apenas como cor. Portanto, ela se acumula, cria volumes, forma relevos e constrói uma superfície que se aproxima da escultura.

Em diversos pontos, a matéria pictórica ganha espessura e presença física, permitindo que a luz interaja com a obra de diferentes maneiras.

Sendo assim, essa característica aproxima a série da produção escultórica de Solano e reforça uma das ideias centrais da Artecologia: a obra como organismo vivo, em constante transformação.

Portões que Falam: Um diálogo entre Brasil e França

A participação na exposição Portões que Falam amplia a presença internacional da pesquisa desenvolvida por Solano.

Espaço expositório da sdérie Sobre Pedras, no Portões que Falam (Reprodução: Acervo Solano)

A parceria com o projeto francês Les Fenêtres Qui Parlent estabelece uma ponte cultural entre Brasil e França, aproximando diferentes territórios por meio da arte contemporânea.

Nesse contexto, a série Sobre Pedras transforma elementos simples da paisagem em pontos de encontro entre memória, matéria e experiência.

As pedras tornam-se testemunhas silenciosas do tempo, enquanto a pintura revela as camadas emocionais que conectam pessoas, lugares e histórias.

Artecologia e a pesquisa de Solano

Fundador do Instituto de Artecologia (ArtEco) e da Escola de Artecologia – Cultura Socioambiental, o biólogo e artista Solano desenvolve uma pesquisa que integra arte contemporânea, ecologia, restauração ambiental e processos culturais.

Sua produção está organizada em três grandes campos de investigação: Campo Pulsional, Campo Nuclear e Campo de Luz.

A série Sobre Pedras representa uma importante contribuição ao Campo Pulsional, reafirmando a pintura como espaço de experiência, sensibilidade e transformação.

A exposição Portões que Falam, realizada em Santo André em parceria com o projeto francês Les Fenêtres Qui Parlent, marca a primeira apresentação pública dessas obras inéditas e amplia o diálogo internacional da Artecologia com os debates contemporâneos sobre arte, território e cultura.